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Sobre o livro
O temperamento forte é um ponto em comum dos grandes aventureiros, artistas, empreendedores, revolucionários, e também dos boêmios, malandros, abusadores de drogas, jogadores e viciados em adrenalina. As características dos temperamentos fortes podem se manifestar sem transtornos. Mas quando ocorrem alterações de humor - oscilações entre os pólos da euforia e da tristeza, passando por agressividade, apatia ou ansiedade - caracteriza-se a bipolaridade.

Este livro mostra a influência do temperamento e do humor em nossas vidas, ajudando a reconhecer e resolver as situações em que o humor desafina, sai do tom. Serve ainda como um alerta aos diagnósticos de depressão e déficit de atenção (DDA) e ao uso excessivo de antidepressivos e psicoestimulantes, tão prescritos atualmente. E também questiona nosso estilo de sociedade, que oferece cada vez mais estímulos e novidades e menos limites.
Comentário
Este é um livro que foge com felicidade às regras. Trata de um dos maiores temas psiquiátricos da atualidade, o transtorno bipolar, objeto de estudo de clínicos e pesquisadores mundo afora.

Aqui, o enfoque é novo: parte da análise de algo que parecia esquecido na psiquiatria moderna, o temperamento, e examina a bipolaridade à luz desta questão. As descrições clínicas são feitas de forma coloquial, e as indicações terapêuticas de maneira acessível aos leigos. Este é um livro pessoal, em que o autor analisa o tema como psiquiatra e como ser humano, e expõe, de maneira clara e amena, seus pontos de vista. Assim, pode ser lido com proveito, e sem dúvida com prazer, tanto por psiquiatras como por leigos, e muito particularmente pelos bipolares. Constitui também material de reflexão para sociólogos e quem mais estiver in teressado na estrutura da sociedade atual, que o autor qualifica, com razões, como bipolar. Há relatos ilustrativos de aspectos temperamentais de figuras do mundo das artes e dos esportes, e interessantes especulações sobre sua relação com a bipolaridade.

Há também numerosos e úteis conselhos de vida, aproveitáveis por pacientes, psiquiatras, psicólogos e pelo público em geral. A leitura é fácil e direta, e o leitor consegue estabelecer aquilo que a maioria dos autores deseja e poucos conseguem: um elo de contato direto com o escritor; um certo nível de cumplicidade. Como o autor salienta que não é preciso estar de acordo com suas colocações para entendê-lo, abre caminho para um fecundo diálogo com profissionais e pacientes. Creio, assim, que este excelente livro pode ter valor heurístico.

Iván Izquierdo - neurocientista



Sobre o livro
No modelo de medo e raiva, o temperamento é proposto como uma ponte entre os diagnósticos clínicos e o mundo psicológico. A visão com base no temperamento enfoca a pessoa como ela é, não simplesmente os transtornos que ela tem. Ao mesmo tempo, não deixa de contemplar os diagnósticos clínicos que podem ser úteis na compreensão e tratamento dos pacientes.

Esse modelo pluralista também proporciona um mapa para as relações entre os transtornos de humor, do comportamento e de personalidade, apontando para as interações mais prevalentes e esperadas. Dessa forma, a avaliação se torna mais precisa e direcionada, e se reflete em vários níveis de funcionamento mental e cerebral.

O modelo de medo e raiva também oferece respostas a questões fundamentais, mas às vezes esquecidas: como o humor pode se expressar de tantas maneiras? Por que o humor se desregula? Como se dá a relação entre pensamento, temperamento e humor? Como pode uma pessoa ter vários transtornos psiquiátricos tão diferentes ao mesmo tempo? Por que alguns remédios ajudam em vários tipos de transtornos e pioram outros? O que há em comum entre as psicoterapias e os tratamentos farmacológicos?

Tópicos como esses são compreendidos e apresentados de maneira inovadora, clara e fundamentada em evidências científicas. Apesar de ser um modelo sintético, não é reducionista nem dogmático. Por isso, pode ser incorporado à prática clínica de cada um à sua maneira.
Comentário
O diagnóstico psiquiátrico está em crise. A realidade clínica é que pacientes se apresentam com uma combinação de problemas emocionais e comportamentais que não se encaixam facilmente a um só diagnóstico.

Diogo Lara propôs combinar as melhores características de duas abordagens anteriores para desenvolver a apreciação apropriada do que é comum aos transtornos emocionais, comportamentais, de personalidade e de adição. A beleza dessa abordagem é que ela lida otimamente com questões de "comorbidade" e fornece uma conciliação plausível entre abordagens categoriais e dimensionais para o comportamento humano e a psicopatologia.

Nas aplicações dessa abordagem inovadora à realidade clínica do dia-a-dia, o Dr. Lara explica como problemas e desafios diagnósticos complexos e suas abordagens terapêuticas podem ser conceituadas e resolvidas. Essa abordagem não é somente mais um discurso teórico sobre integração e ecletismo. É uma abordagem prática e realista de como integrar as emergentes ciências básicas e clínicas nos problemas que psiquiatras e psicólogos encaram nas suas práticas.

A prática da saúde mental fica assim enriquecida com tais insights novos e abordagens terapêuticas baseadas em problemas.

Professor Hagop S. Akiskal, M.D.
International Mood Center, University of California San Diego (USA)
Editor-chefe do Journal of Affective Disorders
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